terça-feira, 21 de abril de 2026

SBF comemorará 60 anos no dia 20 de Agosto

 



No próximo dia 14 de julho, a Sociedade Brasileira de Física (SBF), que foi fundada em 1966, durante uma reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), realizada em Blumenau (SC), completa 60 anos. O evento oficial de comemoração será realizado no dia 20 de agosto, no Auditório Abrahão de Moraes, no Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP), reunindo diferentes gerações de físicos.

Com forte peso simbólico, a data marca a consolidação de uma comunidade que ajudou a estruturar a Física no Brasil, a ampliar sua presença institucional e a defender a ciência em momentos decisivos da história nacional.

A SBF está preparando uma série de conteúdos com o objetivo de resgatar a trajetória da entidade, destacar seu papel no desenvolvimento da ciência nacional e refletir sobre seus desafios e perspectivas futuras.

Leia mais.


A ideia é reunir depoimentos de físicos que acompanharam, de diferentes formas, a evolução da SBF, ajudando a construir um panorama que dialogue com a memória institucional e com as transformações mais amplas da Física no país.

Iniciamos esse trabalho entrevistando o professor titular aposentado do Instituto de Física da USP, Silvio Salinas, que se debruçou sobre a história da entidade ao lançar, em maio de 2001, o artigo “Formação e desenvolvimento da Sociedade Brasileira de Física (SBF)”. Uma das principais referências em Física Estatística do país, Salinas também foi secretário e membro do Conselho da SBF.

décadas seguintes, com milhares de doutores, dezenas de programas de pós-graduação e uma produção científica crescente e robusta.

Esse avanço, reconhece Salinas, está diretamente ligado à existência de uma estrutura que articule a comunidade. “Nós sempre achávamos que era importante ter a SBF, que era uma estrutura que garantiria isso”, diz Salinas, sublinhando o papel histórico da entidade em promover encontros, aproximar pesquisadores de diferentes regiões e criar um ambiente propício à troca de ideias, condição indispensável para o desenvolvimento científico consistente no país. “É importante que haja intercâmbio. A internet por si só não resolve isso. O intercâmbio pessoal é fundamental.”

Salinas também avalia positivamente a ampliação da atuação da SBF para áreas como ensino e divulgação científica. Neste caso, merecem destaque iniciativas como a Olimpíada Brasileira de Física, que aproxima a ciência de estudantes e professores.

Desafios contemporâneos

Se o passado da SBF é marcado pela construção e pela resistência, o presente impõe novos desafios, entre eles, ampliar sua influência nas políticas científicas e estimular debates sobre transformações no próprio sistema de avaliação acadêmica. É nesse contexto que, para Salinas, a entidade pode exercer um papel mais ativo e articulador dentro da comunidade.

“A maneira de avaliar as pessoas mudou muito. Precisamos rever essa história de ficar contando papers sem discutir o conteúdo. Esse tipo de discussão precisa haver na comunidade”, diz Salinas, ressalvando que, embora se trate de um problema global, ele exige posicionamento da SBF, para que a entidade contribua na construção de critérios mais qualitativos e alinhados à realidade da pesquisa no país.

Outro ponto destacado por Salinas é a necessidade de maior participação nas decisões de órgãos como CNPq e Capes. “Tem que discutir essas coisas”, diz.

Apesar de reconhecer que não acompanha de perto a atuação recente da SBF, Salinas expressa um desejo claro: “Eu gostaria que a SBF fosse bem mais ativa do que tem sido.” Para ele, a entidade deve continuar sendo um espaço de articulação, debate e defesa da ciência.

Como sugere Salinas, olhar para o passado pode ser o primeiro passo para pensar o futuro. Mesmo que, como ele próprio admite, essa seja “uma questão difícil”.

Mas se há uma lição clara ao longo dessas seis décadas de existência da SBF, é a importância de manter viva a articulação coletiva. Em um cenário de transformações rápidas na ciência e na sociedade, o papel de uma entidade como a SBF permanece essencial: garantir espaços de encontro, fomentar o debate crítico e dar visibilidade à produção científica nacional. Como sintetiza o próprio Salinas: “A SBF cumpre um papel. É importante que a gente tenha uma estrutura que garanta isso.”

Por Leandro Haberli




(Portal da SBF)

Blog rafaelrag

Nenhum comentário:

Postar um comentário