Os servidores técnico-administrativos em educação da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) decidiram iniciar, a partir da próxima segunda-feira, 16 de março de 2026, uma greve por tempo indeterminado. A decisão foi tomada durante assembleia realizada na manhã da quarta-feira (11), após avaliação da categoria de que o governo federal ainda não cumpriu integralmente o acordo firmado durante a greve nacional de 2024.
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A assembleia aconteceu na sede do Sindicato dos Trabalhadores de Educação Superior das Instituições Federais de Ensino Intermunicipais no Estado da Paraíba (SINTESUF), no campus sede da UFCG, em Campina Grande, e reuniu servidores de diversos campi da universidade.
Ao todo, 177 servidores participaram da votação, sendo 72 de forma presencial e 105 de forma online. Durante a consulta à categoria — “Você, servidor da UFCG, é a favor da deflagração da greve a partir do dia 16 de março de 2026?” — foram registradas as seguintes posições:
· Presencial: 71 votos SIM e 1 abstenção
· Online: 81 votos SIM, 23 NÃO e 1 abstenção
Na mesma assembleia também foi formado o comando de greve e escolhido o delegado que representará a base da UFCG nas plenárias nacionais da FASUBRA. O representante eleito foi o servidor Messias, da filial de Patos.
A paralisação faz parte de uma mobilização nacional de trabalhadores de universidades e institutos federais, que já conta com adesão de mais de 50 instituições em todo o país. Na Paraíba, os servidores da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) também iniciaram greve na última segunda-feira (9).
De acordo com a categoria, o governo federal cumpriu apenas parte do acordo firmado na última paralisação, permanecendo pendentes pontos considerados fundamentais para os servidores. Entre as principais reivindicações estão:
· Cumprimento integral do acordo federal de 2024, que trata da reestruturação da carreira dos técnicos administrativos;
· Implantação do Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC), mecanismo que valoriza a experiência e as atividades profissionais dos servidores;
· Redução da jornada para 30 horas semanais sem redução salarial, medida que busca melhorar as condições de trabalho e a qualidade dos serviços prestados.
Segundo o presidente do SINTESUF, Alessandro Francisco dos Santos, o sindicato irá comunicar oficialmente a reitoria da UFCG sobre a decisão da assembleia e iniciar os trâmites legais para garantir os direitos da categoria durante o período de greve.
“A duração dessa greve depende do governo sentar à mesa com a categoria e cumprir integralmente o acordo firmado na última paralisação, em 2024. Esperamos que isso aconteça o quanto antes, para que todos saiam ganhando”, destacou.
Mobilização nacional
Em 2024, os servidores técnico-administrativos das instituições federais protagonizaram uma ampla mobilização nacional, denunciando também os cortes de recursos nas áreas de educação, saúde e políticas assistenciais. Na ocasião, a categoria criticou os efeitos do arcabouço fiscal, que, segundo os trabalhadores, limita investimentos sociais.
Para 2026, além da cobrança pelo cumprimento do acordo anterior, a mobilização também reafirma a defesa do financiamento da educação pública e a oposição a propostas de reforma administrativa.
Atendimento essencial
Mesmo durante o período de greve, serviços essenciais serão mantidos, especialmente no Hospital Universitário Alcides Carneiro (HUAC), em Campina Grande. O objetivo é garantir o atendimento mínimo à população e o suporte necessário às atividades de formação dos estudantes da área da saúde.
A paralisação seguirá até que haja avanços concretos nas negociações com o Governo Federal sobre carreira, remuneração e condições de trabalho, refletindo a insatisfação da categoria com a condução das políticas para a educação pública federal.
Blog rafaelrag

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