Recebo com profunda tristeza a notícia da morte de Amelinha Teles, nesta terça-feira, 15 de setembro. José Dirceu.
Vi somente hoje a homenagem de José Dirceu a Amelinha Teles e recebo com profunda tristeza a notícia de sua morte na última terça-feira, 15 de setembro.
Maria Amélia de Almeida Teles foi presa e torturada pela ditadura militar em dezembro de 1972, nos porões da Oban, sob comando de Carlos Alberto Brilhante Ustra. Viu seus filhos Janaína e Edson, ainda crianças, serem levados ao DOI-Codi para presenciar as sessões de tortura. Testemunhou o assassinato do companheiro de militância Carlos Nicolau Danielli.
Ao invés de recuar, foi para o combate. Transformou a dor em luta. Foi a ação movida por ela e por sua família que, em 2008, tornou Ustra o único torturador da ditadura reconhecido pela Justiça brasileira.
Fundadora da União de Mulheres de São Paulo, dedicou décadas à formação de mulheres através do Projeto Promotoras Legais Populares, ao combate ao feminicídio e à defesa intransigente da democracia e dos direitos humanos no Brasil.
Por que precisamos lembrar de Amelinha na sala de aula?
Amelinha não baixou a cabeça para os ditadores. Formou um grupo de mulheres guerreiras e mostrou que existem leis brasileiras, mas é preciso coragem para fazer a denúncia.
Precisamos de mulheres guerreiras como Amelinha para trabalhar na conscientização de muitos jovens brasileiros, que aceitam as migalhas de políticos e vendem seus votos. Poucos políticos no Brasil têm seus direitos suspensos pela Justiça. Isso mostra que o povo muitas vezes é iludido e prejudicado por suas próprias escolhas, se deixando levar por cabos eleitorais.
Adendo da educação paraibana.
Falhas no processo de escolha de diretores nas escolas estaduais da Paraíba mostram que a educação brasileira precisa colocar em prática a democracia. A LDB prevê gestão democrática.
No caso da Paraíba, o que está acontecendo na rede estadual, ao invés de incentivar as eleições para escolha de diretores, há indicação política, e mesmo sob reclamações dos estudantes eles continuam nos cargos. São muitas contradições.
A lição de Amelinha é: democracia se pratica, não se discursa.
Amelinha nos deixa um legado de coragem, memória e resistência. Que sua história siga inspirando as novas gerações a nunca esquecer e a nunca se calar diante do autoritarismo.
Descanse em luta, Amelinha.
Professor Dr. Rafael Rodrigues – UFCG, campus Cuité. Disciplinas de Instrumentação I e II – Licenciatura em Física.
Fonte da nota de falecimento: União de Mulheres de SP / Jornalismo TV Cultura. Homenagem citada: José Dirceu – 15/09/2025.
Blog rafaelrag


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